Talvez eu acabe sendo reconhecida como uma grande apreciadora de coletâneas. Não que isso me preocupe/incomode de fato. A verdade é que, coletâneas são incríveis.
Correndo o risco de parecer maluca, já que quem me conhece sabe que o meu álbum preferido é o Exodus, minha escolha foi feita de acordo com as minhas lembranças mais antigas:
Eu me lembro bem da primeira vez em que ouvi essa coletânea. Era uma fita k7 que eu ganhei de algum dos meus coleguinhas da rua e eu fiquei super curiosa porque sempre ouvia falar de Bob Marley, mas nunca tinha ouvido até então. Nem fazia idéia do que seria o tal do reggae. E foi ao apertar o botão do play pela primeira vez que eu fui completamente tomada pela tal da positive vibration.
Eu só vim a entender o que diziam as letras muito tempo depois, mas isso não fazia diferença. A sensação é tão única que você praticamente entende o que ele quer passar, apenas com a emoção. A linguagem de Bob é uma linguagem única, mais do que musical: espiritual!
Dissecando o álbum:
Faixa 1 - Is This Love: Um dos maiores hinos de amor de todos os tempos, inquestionavelmente! Aliás, propagar o amor é o ponto forte das composições e da vida de Bob. E todas as mocinhas se derretem com o romantismo do rei do reggae: "I wanna love you and treat you right, I wanna love you every day and every night/Eu quero te amar e te tratar bem, eu quero te amar todo dia e toda noite". Dividir o teto, dividir o pão e plantar e colhêr amor... quem nunca sonhou com isso? Eu já.
Faixa 2 - No Woman, No Cry: Eu piro nas músicas ao vivo, em que dá pra sentir a vibração do público e as partes em que ele atinge o cume da empolgação. Aparentemente essa letra nem foi composta pelo próprio Bob, mas ele emprega sua alma nela. Essa canção foi uma das que me influenciaram diretamente a ser como sou hoje, a não acreditar que ficar choramingando possa resolver os meus problemas. E, de certa forma, traçar um caminho solitário: "Observing the hypocrites as they would mingle with the good people we meet. Good friends we have, good friends we've lost along the way/Observando os hipócritas misturando-se com a boa gente que encontramos. Bons amigos temos, bons amigos perdemos pelo caminho...". É, de fato, uma música espiritual.
Faixa 3 - Could You Be Loved: "Don't let them fool ya or even try to school ya! We've got a mind of our own, so go to hell if what you're thinking is not right/Não deixe eles te enganarem ou mesmo tentarem adestrar você! Nós temos a nossa própria mente, então vá para o inferno se o que você está pensando não é certo!". Eu acho encantadora a maneira como o Bob se posicionava, social e politicamente, inclusive. A rebeldia, a indignação e o protesto, todos devidamente romantizados e floridos de amor. E, só pra constar, essa é uma das minhas músicas preferidas com as I-Threes (as backing vocals: Rita Marley, Marcia Griffiths e Judy Mowatt), elas estão incríveis!
Faixa 04 - Three Little Birds: Mais um dos megahits universais que encantam a todo mundo, até o nosso Excelentíssimo Sr. Ex-Ministro da Cultura. "Don't worry about a thing'cause every little thing gonna be all right/Não se preocupe com nada porque cada coisinha vai ficar bem". Vai dizer que o otimismo do Bob não é contagiante? Tal qual toda e qualquer melodia de baixo composta pelo Family Man (Ashton Barrett)!
Faixa 05 - Buffalo Soldier: Uma crítica musical sobre os africanos extraídos de suas terras para lutar pelos Estados Unidos na American Indian Wars (juro que não sei como se chama em português). "And he was taken from Africa, brought to America; fighting on arrival, fighting for survival/E ele foi tirado da África, trazido para a América; lutando na chegada, lutando pela sobrevivência". Os Pantera Negra pira!
Faixa 06 - Get Up, Stand Up: Bob Marley, Peter Tosh e uma sapateada na cara do cristianismo: "Preacherman, don't tell me Heaven is under the earth, I know you don't know what life is really worth.It's not all that glitters is gold, 'alf the story has never been told/Pastor, não me diga que o paraíso está embaixo da terra, eu sei que você não sabe o quanto a vida realmente vale. Nem tudo o que reluz é ouro, somente uma parte da história foi contada". Não vou falar mais nada. ACORDA MUNDO!
Faixa 07 - Stir it Up: Musiquinha de paixão, toda saliente. Olha o tom da voz do Bob nessa música gente, muita malevolência [substantivo feminino: desejo de fazer mal / intenção maldosa em relação a uma pessoa]. Safadinho e danadinho. E que musiquinha gostosa!
Faixa 08 - One Love/People Get Ready: Globalização é isso aqui, minha gente: "One love, one heart: let's get together and feel all right/Um só amor, um só coração: vamos seguir juntos e ficaremos bem". Me arrepia até hoje! (Estou meio que arrependida de não ter escolhido o Exodus pra este post).
Faixa 09 - I Shot The Sheriff: Bob Marley se pronunciou sobre essa música dizendo: "Eu queria ter dito 'eu atirei na polícia', mas o governo teria feito um barulho, então eu disse: 'eu atirei no xerife'... mas é a mesma idéia:. justiça!". Com esses falsetes e essa energia, podia atirar na polícia, no xerife, no delegado, nos oficiais, no presidente...
Faixa 10 - Waiting In Vain: Essa é minha queridinha, do meu disco queridinho. Eu, de grande apreciadora do amor platônico e amante fiel que sou, piro nessa canção! Essa melodia é linda, essa percurssão é linda, essa letra é linda. "Tears in my eyes burn while I'm waiting for my turn/Lágrima queimam em meus olhos enquanto eu espero pela minha vez". E eu não quero esperar em vão pelo amor de ninguém.
Faixa 11 - Redemption Song: Isso aqui não se faz com o coração de ninguém, sério. Um violão e um Bob que acaba de descobri que tem um câncer e vai morrer. E uma influência direta de Marcus Garvey (se não sabe quem é, vá já procurar saber). Arrepia. E muito.
Faixa 12 - Satisfy My Soul: É uma das músicas mais gostosas, com uma das melhores entonações. Quando ele começa a cantar "Please, don't you rock my boat", eu já entro em transe. Incrível!
Faixa 13 - Exodus: É o movimento do povo de Jah! E já que tocamos nesse assunto, não custa nada dar uma pesquisada sobre Haile Selassie e entender um pouco mais sobre a cultura rastafári, né? Porque ficar postando coisas na internet propagando a maconha e usando o nome de Jah levianamente já tá meio defasado. Assim, só comentando mesmo... e sobre a música: show de I-Threes e show de metais, coisa linda!
Faixa 14 - Jamming: Essa tem uma das minhas frases preferidas: "Ain't no rules, ain't no vow, we can do it anyhow and I know will see you through,'cos every day we pay the price with a living sacrifice, jamming till the jam is through" [não sei bem como traduzí-la, desisto]. E, como todas as outras, é uma música deliciosa e que, como todas as outras, dá vontade de dançar e de ouvir sem parar.
Definitivamente, não tem uma música ruim nesse álbum. Só hit, só música sensacional.
E no fim das contas: uma do Kaya, uma do Live!, uma do Confrontation, uma do Catch A Fire, duas do Uprising, duas do Burnin' e SEIS do Exodus. Agora estou ainda mais arrependida por não tê-lo escolhido para resenhar.
Tudo bem, eu posso fazer isso um outro dia...
terça-feira, 21 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
The Cranberries - No Need To Argue (1994)
Não quero que pareça que estou, de alguma forma, tendenciando uma preferência pelas bandas da Irlanda, mas não poderia escolher outro disco pra esse próximo post.
O primeiro contato que tive com Cranberries foi com o primeiro disco, "Everybody Else Is Doing It, So why Can't We?", cujo nome me impressionou tanto quanto a música How, que até hoje é uma das que eu mais gosto deles. E é um disco que eu recomendo demais. Provavelmente falarei dele aqui ainda.
Mas quando eu ouvi essa belezinha aqui:
eu fui tomada por um sentimento que, até os dias de hoje, me causa as mais intensas sensações.
Eu passei um mês inteiro fazendo trabalhos escolares na casa de uma amiga onde só ouvíamos dois discos: o Mellon Collie And The Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins (que eu espero ter oportunidade de comentar posteriormente), e este em questão. São dois discos bem especiais, que me remetem à uma fase bem especial da minha vida. Pensando bem, acho que ouvíamos The Cure também, mas isso não vem ao caso.
Curiosidade: até os dias de hoje, casualmente me tranco no banheiro para tomar banho, no escuro, ouvindo esse disco. Recomendo a experiência.
Dissecando o álbum:
Faixa 01 - Ode To My Family: O assunto 'família' sempre foi muito delicado pra mim, mesmo quando eu ainda me via como membro de uma. E uma letra que retrata o saudosismo de ser criança, de um ambiente familiar, me deixa um pouco reflexiva. De certa forma, com o passar dos anos, cada vez que eu a ouço atualmente, me traz uma sensação diferente, talvez um pouco amarga. Eu fico sentimental, melancólica. Mas isso é comigo, óbvio. É uma deliciosa melodia para se ouvir em dias de saudosismo.
Faixa 02 - I Can't Be With You: Pé na bunda e saudade do namoro... quem nunca? "Thinking back on how things were and how we loved so well, I wanted to be the mother of your child and now it's just farewell/Pensando em como as coisas eram e como nós nos amávamos tão bem, eu queria ser a mãe do seu filho e agora é só adeus...". Dolores O'Riordan e suas intensas canções de amor, ai ai... e essa é a música mais animadinha desse disco, dá pra sofrer dançandinho!
Faixa 03 - Twenty One: Durante muito tempo eu achei que quando eu tivesse 21 anos, teria as melhores experiências da minha vida, seria a minha melhor época. E acabou sendo. Ou eu acabei achando que foi, sei lá... tudo por causa dessa música. Talvez pela frase "Leave me alone 'cause I found it all/Me deixe sozinha porque eu descobri tudo" e a idéia de que aos 21 eu já saberia o suficiente da vida pra ter o controle do futuro. Tolice adolescente, tsc. Mas a baladinha é apaixonante.
Faixa 04 - Zombie: Todo mundo conhece esta, certo? Maior hit do cd, maior hit da banda! Música de protesto anti-guerra, especificamente sobre a morte de crianças: "Another mother's breaking, heart is taking over when the violence causes silence/Outra mãe está desmoronando, seu coração é tomado quando a violência causa silêncio". Faz pensar e faz sentir. Dolores tem uma maneira bem poética de tratar assunto fortes o que, somado às características "melosas" da banda, acaba por amenizar um pouco o impacto analítico dos temas. Principalmente se você não fala inglês e não se dá ao trabalho de se aprofundar nas letras.
Faixa 05 - Empty: Uma das minhas preferidas. Quando tem violino, eu piro! E eu adoro o tom da voz da Dolores, esse 'agudo gralha' que só ela tem e eu amo. E é uma das minhas percurssões favoritas do Fergal Lawler, que eu considero um baterista bastante sensível. E tem a identificação pessoal, né? "All my dreams it suddenly seems empty/Todos os meus sonhos de repente parecem vazios". Sem mais.
Faixa 06 - Everything I Said: Sem dúvidas, uma das minhas letras preferidas. Dificilmente alguma outra tem algo tão intenso pra mim quanto: "'Cos if I died tonight would you hold my hand? No! Would you understand? And if I lived in spite would you still be here? Not! Would you disappear/Porque se eu morresse essa noite será que você seguraria minha mão? Não! Será que você entenderia? E se eu vivesse aqui dentro será que você continuaria aqui? Não! Você desapareceria?". É uma música bem tensa. E eu amo músicas tensas.
Faixa 07 - The Icicle Melts: Mais crítica: "I should not have read the paper today cause a child, he was taken away; there's a place for the baby that died and there's a time for the mother who cried; and she will hold him in her arms sometime cause nine months is too long/Eu não devia ter lido os jornais hoje, porque uma criança foi levada embora; há um lugar para o bebê que morreu e há um tempo para a mãe que chorou; e ela o segurará em seus braços algum dia porque nove meses é muito tempo". Como a Dolores estava grávida durante o processo de composição (o disco foi lançado em Outubro e seu primeiro filho, Taylor, nasceu em Novembro), a sensibilidade materna dela devia estar mais aflorada que o resto: "How could you hurt a child?/Como você pode machucar uma criança?".
Faixa 08 - Disappointment: Minha linha de baixo preferida do Mike Hogan. Apesar de ser bem simples, eu viajo. Na verdade, eu piro muito em tudo que o Mike Hogan toca, enfim... e tem mais dor de cotovelo: "You wouldn't have done the things you did then and we could've been happy/Você não teria feito as coisas que você fez e nós poderíamos ter sido felizes". Já deve ter ficado claro que eu curto a temática, né?
Faixa 09 - Ridiculous Thoughts: A introdução engana e a gente pensa que a música é muito mais lenta do que é. Amo os arranjos dedilhados do Noel, apesar de achar que tem muito da Dolores nisso. E ela xinga e diz que tá legal. Dizem que a letra foi composta pelos dois por conta de problemas que eles estavam tendo com a imprensa britânica. Eu gosto muito dessa música, com uma pegada mais "roqueira" que as outras. Me faz lembrar do primeiro disco.
Faixa 10 - Dreaming My Dreams: A canção de amor mais canção de amor de todas. Tão fofa, tão menininha: "It's out there. If you want me I'll be here. I'll be dreaming my dreams with you/Estou distante. Se você me quiser eu estarei aqui. Eu sonharei meus sonhos com você". É de marejar os olhos, vai... acho linda. E tem violino e tal... eu também sou fofa, gente!
Faixa 11 - Yeat's Grave: Uma homenagem da banda ao poeta irlandês William Yeats (uma grande influência para Oscar Wilde e, consequentemente, para o Morrissey, só pra registrar). E é uma ótima canção. Mesmo.
Faixa 12 - Daffodil Lament: É uma música das mais intensas. Com uns efeitos eletrônicos e uma bateria bem da sinistra. E quando ela canta: "I can't sleep here" eu tenho vontade de sair correndo e gritando por aí, louca. É incrível como eles conseguem transitar entre o fofo e o agressivo, entre o poético e o crítico, entre o melódico e o pesado.
Faixa 13 - No Need To Argue: É praticamente um mantra. E as técnicas e características vocais da Dolores são evidenciadas aqui. E a letra: "And the thing that makes me mad is the one thing that I had, I knew, I knew I'd lose you. You'll always be special to me and I remember all the things we once shared/E a coisa que me deixa irritada é a unica coisa que eu tenho, eu sabia, eu sabia que te perderia. Você sempre será especial para mim e eu me lembro de todas as coisas que compartilhamos uma vez" me deixa sentimental. E o final,onde a voz se multiplica e um lindo órgão investe na tensão: "There's no need to argue you, no need to argue anymore/Não há nada o que discutir contigo, não há mais nada o que discutir". Uma maneira incrível de se finalizar o disco. Lindo.
Definitivamente, The Cranberries é uma banda que eu admiro muito. E me arrependo muito de não ter ido a nenhum dos shows deles que eu poderia ter ido. Espero muito que eles voltem e eu possa estar lá, porque sentir essas vibrações ao vivo deve ser uma experiência mágica.
Amo a maneira de compôr e de cantar da Dolores, amo as linhas de guitarra e baixo dos irmãos Hogan, que se intercalam e completam lindamente, amo a maneira sensível do Lawlel dar movimento às melodias e amo todas as sensações que eu tenho ao parar pra ouvir cada um dos discos deles, do primeiro ao último. E eu realmente sinto um pouco de pena de quem não consegue compartilhar dessas emoções.
O primeiro contato que tive com Cranberries foi com o primeiro disco, "Everybody Else Is Doing It, So why Can't We?", cujo nome me impressionou tanto quanto a música How, que até hoje é uma das que eu mais gosto deles. E é um disco que eu recomendo demais. Provavelmente falarei dele aqui ainda.
Mas quando eu ouvi essa belezinha aqui:
eu fui tomada por um sentimento que, até os dias de hoje, me causa as mais intensas sensações.
Eu passei um mês inteiro fazendo trabalhos escolares na casa de uma amiga onde só ouvíamos dois discos: o Mellon Collie And The Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins (que eu espero ter oportunidade de comentar posteriormente), e este em questão. São dois discos bem especiais, que me remetem à uma fase bem especial da minha vida. Pensando bem, acho que ouvíamos The Cure também, mas isso não vem ao caso.
Curiosidade: até os dias de hoje, casualmente me tranco no banheiro para tomar banho, no escuro, ouvindo esse disco. Recomendo a experiência.
Dissecando o álbum:
Faixa 01 - Ode To My Family: O assunto 'família' sempre foi muito delicado pra mim, mesmo quando eu ainda me via como membro de uma. E uma letra que retrata o saudosismo de ser criança, de um ambiente familiar, me deixa um pouco reflexiva. De certa forma, com o passar dos anos, cada vez que eu a ouço atualmente, me traz uma sensação diferente, talvez um pouco amarga. Eu fico sentimental, melancólica. Mas isso é comigo, óbvio. É uma deliciosa melodia para se ouvir em dias de saudosismo.
Faixa 02 - I Can't Be With You: Pé na bunda e saudade do namoro... quem nunca? "Thinking back on how things were and how we loved so well, I wanted to be the mother of your child and now it's just farewell/Pensando em como as coisas eram e como nós nos amávamos tão bem, eu queria ser a mãe do seu filho e agora é só adeus...". Dolores O'Riordan e suas intensas canções de amor, ai ai... e essa é a música mais animadinha desse disco, dá pra sofrer dançandinho!
Faixa 03 - Twenty One: Durante muito tempo eu achei que quando eu tivesse 21 anos, teria as melhores experiências da minha vida, seria a minha melhor época. E acabou sendo. Ou eu acabei achando que foi, sei lá... tudo por causa dessa música. Talvez pela frase "Leave me alone 'cause I found it all/Me deixe sozinha porque eu descobri tudo" e a idéia de que aos 21 eu já saberia o suficiente da vida pra ter o controle do futuro. Tolice adolescente, tsc. Mas a baladinha é apaixonante.
Faixa 04 - Zombie: Todo mundo conhece esta, certo? Maior hit do cd, maior hit da banda! Música de protesto anti-guerra, especificamente sobre a morte de crianças: "Another mother's breaking, heart is taking over when the violence causes silence/Outra mãe está desmoronando, seu coração é tomado quando a violência causa silêncio". Faz pensar e faz sentir. Dolores tem uma maneira bem poética de tratar assunto fortes o que, somado às características "melosas" da banda, acaba por amenizar um pouco o impacto analítico dos temas. Principalmente se você não fala inglês e não se dá ao trabalho de se aprofundar nas letras.
Faixa 05 - Empty: Uma das minhas preferidas. Quando tem violino, eu piro! E eu adoro o tom da voz da Dolores, esse 'agudo gralha' que só ela tem e eu amo. E é uma das minhas percurssões favoritas do Fergal Lawler, que eu considero um baterista bastante sensível. E tem a identificação pessoal, né? "All my dreams it suddenly seems empty/Todos os meus sonhos de repente parecem vazios". Sem mais.
Faixa 06 - Everything I Said: Sem dúvidas, uma das minhas letras preferidas. Dificilmente alguma outra tem algo tão intenso pra mim quanto: "'Cos if I died tonight would you hold my hand? No! Would you understand? And if I lived in spite would you still be here? Not! Would you disappear/Porque se eu morresse essa noite será que você seguraria minha mão? Não! Será que você entenderia? E se eu vivesse aqui dentro será que você continuaria aqui? Não! Você desapareceria?". É uma música bem tensa. E eu amo músicas tensas.
Faixa 07 - The Icicle Melts: Mais crítica: "I should not have read the paper today cause a child, he was taken away; there's a place for the baby that died and there's a time for the mother who cried; and she will hold him in her arms sometime cause nine months is too long/Eu não devia ter lido os jornais hoje, porque uma criança foi levada embora; há um lugar para o bebê que morreu e há um tempo para a mãe que chorou; e ela o segurará em seus braços algum dia porque nove meses é muito tempo". Como a Dolores estava grávida durante o processo de composição (o disco foi lançado em Outubro e seu primeiro filho, Taylor, nasceu em Novembro), a sensibilidade materna dela devia estar mais aflorada que o resto: "How could you hurt a child?/Como você pode machucar uma criança?".
Faixa 08 - Disappointment: Minha linha de baixo preferida do Mike Hogan. Apesar de ser bem simples, eu viajo. Na verdade, eu piro muito em tudo que o Mike Hogan toca, enfim... e tem mais dor de cotovelo: "You wouldn't have done the things you did then and we could've been happy/Você não teria feito as coisas que você fez e nós poderíamos ter sido felizes". Já deve ter ficado claro que eu curto a temática, né?
Faixa 09 - Ridiculous Thoughts: A introdução engana e a gente pensa que a música é muito mais lenta do que é. Amo os arranjos dedilhados do Noel, apesar de achar que tem muito da Dolores nisso. E ela xinga e diz que tá legal. Dizem que a letra foi composta pelos dois por conta de problemas que eles estavam tendo com a imprensa britânica. Eu gosto muito dessa música, com uma pegada mais "roqueira" que as outras. Me faz lembrar do primeiro disco.
Faixa 10 - Dreaming My Dreams: A canção de amor mais canção de amor de todas. Tão fofa, tão menininha: "It's out there. If you want me I'll be here. I'll be dreaming my dreams with you/Estou distante. Se você me quiser eu estarei aqui. Eu sonharei meus sonhos com você". É de marejar os olhos, vai... acho linda. E tem violino e tal... eu também sou fofa, gente!
Faixa 11 - Yeat's Grave: Uma homenagem da banda ao poeta irlandês William Yeats (uma grande influência para Oscar Wilde e, consequentemente, para o Morrissey, só pra registrar). E é uma ótima canção. Mesmo.
Faixa 12 - Daffodil Lament: É uma música das mais intensas. Com uns efeitos eletrônicos e uma bateria bem da sinistra. E quando ela canta: "I can't sleep here" eu tenho vontade de sair correndo e gritando por aí, louca. É incrível como eles conseguem transitar entre o fofo e o agressivo, entre o poético e o crítico, entre o melódico e o pesado.
Faixa 13 - No Need To Argue: É praticamente um mantra. E as técnicas e características vocais da Dolores são evidenciadas aqui. E a letra: "And the thing that makes me mad is the one thing that I had, I knew, I knew I'd lose you. You'll always be special to me and I remember all the things we once shared/E a coisa que me deixa irritada é a unica coisa que eu tenho, eu sabia, eu sabia que te perderia. Você sempre será especial para mim e eu me lembro de todas as coisas que compartilhamos uma vez" me deixa sentimental. E o final,onde a voz se multiplica e um lindo órgão investe na tensão: "There's no need to argue you, no need to argue anymore/Não há nada o que discutir contigo, não há mais nada o que discutir". Uma maneira incrível de se finalizar o disco. Lindo.
Definitivamente, The Cranberries é uma banda que eu admiro muito. E me arrependo muito de não ter ido a nenhum dos shows deles que eu poderia ter ido. Espero muito que eles voltem e eu possa estar lá, porque sentir essas vibrações ao vivo deve ser uma experiência mágica.
Amo a maneira de compôr e de cantar da Dolores, amo as linhas de guitarra e baixo dos irmãos Hogan, que se intercalam e completam lindamente, amo a maneira sensível do Lawlel dar movimento às melodias e amo todas as sensações que eu tenho ao parar pra ouvir cada um dos discos deles, do primeiro ao último. E eu realmente sinto um pouco de pena de quem não consegue compartilhar dessas emoções.
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