terça-feira, 31 de julho de 2012

Thin Lizzy - Bad Reputation (1977)

Alguns dias sem atualizar, graças a um fim de semana agitado e que me rendeu uma bela fratura na mão direita. Mas cá estamos novamente, digitando meio capenga, mas estamos... e a escolha de hoje é essa belezura:



Eu conheci Thin Lizzy tarde demais pro meu gosto. E foi amor à primeira vista, Ou melhor, à primeira ouvida. E uma das melhores descobertas da minha vida!
Esse disco, em especial, me traz muito boas lembranças. Talvez seja meu preferido, pareando com o Johnny The Fox.



Dissecando o álbum: 


Faixa 01 - Soldier of Fortune: Gosto do clima do começo dessa música, meio tenso. Depois ela dá uma animada, porque uma música com uma letra dessas ia dar uma bad monstra, né? "He's trained to kill and kill he will, as we march along, singing just another soldier song/Ele é treinado para matar e vai matar, enquanto marchamos juntos, cantando apenas outra canção de soldado".




Faixa 02 - Bad Reputation: Dá pra saber logo de cara porque é a faixa título e o grande hit do álbum. Que música incrível! E essa linha de baixo? Sério, eu nunca entendi como o Lynott conseguia cantar e tocar baixo desse jeito ao mesmo tempo. Apesar da letra ser bobinha, eu AMO cantarolar o refrãozinho junto... delícia de som. E a melhor linha de bateria do Brian Downey ever! Viradas incríveis, pegada ímpar.


Faixa 03 - Opium Trail:  Acho que esse povo tem uma pira com chinês. Não que eu tenha algo a ver com isso, nem nada, mas talvez essa música devesse estar no álbum Chinatown. Okay, queria polemizar a temática, nada demais. É uma música incrível, com bela linha de baixo e solinhos enérgicos do Brian Robertson que é meu queridinho, mesmo estando completamente ausente nesse disco, como dá pra ver até na capa. Mas, Scott Gorham que me perdoe: você dá super conta do recado mas, Robertson é gênio! Cheio de escalas gostosas.


Faixa 04 - Southbound:  Baladinha pra parar e pensar na vida, cantando junto. Perdi as contas de quantas  vezes já me vi ouvindo "Tonight after sundown I'm going to pack my case, I leave without a sound, disappear without a trace/Hoje a noite depois que o sol se pôr eu vou fazer minha mala, vou sair sem fazer barulho, desaparecer sem deixar rastro" e desejando realmente fazê-lo. Uma melodia tão bonita!


Faixa 05 - Dancing In The Moonlight: Minha preferida! Ah gente, quem nunca chegou tarde em casa porque tava dando aquela sassaricada marota na night, né? Puta música gostosa de romance, com a swingada na linha de baixo que só aquela negrice toda do Lynott tem... e o sax? Definitivamente, chamar John Helliwell e seu saxofone pra essa música foi golpe certeiro, GENIAL! Tive que parar de escrever três vezes pra dar uma dançadinha e cantar junto...


Faixa 06 - Killer Without A Cause:  Guitarra com distorção e peso, do jeitinho que os roqueiro pira! Mas o swingue tá lá, firme e forte. E a influência do blues tá lá, firme e forte. E a voice box do Robertson tá lá, firme e forte...


Faixa 07 - Downtown Sundown:  Baladinha melosa e que, por motivos óbvios, é a que eu menos gosto no disco: "Please believe in love, I believe there is a God above, for love and He's coming/Por favor acredite no amor, eu acredito que há um Deus lá em cima, por amor e Ele está vindo". Enfim...

Faixa 08 - That Woman's Gonna Break Your Heart: Esse riff é tão característico deles, definitavamente a combinação Lynott+Robertson é apaixonante. E esse estilo de fazer balada, também característico, cai muito bem. Tal qual a dorzinha de cotovelo, que eu aprecio um bocado.


Faixa 09 - Dear Lord: Certo, essa letra é pregação pura e deveria, neste caso, ser a que eu menos gosto, Mas, de alguma forma, eu aprecio bastante a estrutura musical dela. E eu até me pego cantando junto às vezes, jurando que eles tão falando de qualquer outra coisa mundana.








No fim das contas, um post conciso. Porque não se tem muito o que falar de Thin Lizzy, faltam palavras. Tentar traduzir em palavras as sensações é tarefa muito difícil, nunca faz justiça.
Mas é isso: um dos melhores álbuns que eu já ouvi e que sempre me impressiona quando ouço, ano após ano. Infelizmente, o último com o que eu chamo de dream trio + Gorham, ou seja,  o dream team: minha formação preferida.






















quinta-feira, 26 de julho de 2012

No Doubt - Tragic Kingdom (1995)

A tarde de hoje foi bem conflituosa em minha mente, para chegar a uma decisão para o post de hoje. Depois de novamente listar aqueles critérios de escolha que eu busquei anteriormente, cheguei até aqui:




Assim como no post anterior, esse também não foi o meu primeiro contato com a banda em questão. Eu já havia escutado umas duas ou três músicas do primeiro e homônimo disco do No Doubt e tinha me interessado um bocado pela banda. Eu estava na minha época de descoberta do ska e suas vertentes e, querendo ou não, o fato de ter uma garota como líder acabou sendo um grande atrativo para que eu me interessasse por eles. Foi quando meu pai me deu de presente um cd do John Bon Jovi (ele inocentemente acreditava que por eu ser fã de Bon Jovi e achar o John uma delícia, eu também gostaria do trabalho solo dele, o que não correspondia à realidade) e eu fui à loja trocá-lo por algo que eu gostasse mais. E lá estava o  Tragic Kingdom, em sua predominante cor azul, que sempre me atraiu. Comprei-o sem nem pesquisar mais nada.


Dissecando o álbum:

Faixa 01 - Spiderwebs: Ainda que eu simpatizasse um bocado com a senhorita Stefani, não tenho como negar que o que mais me atraía na banda era Tony Kanal e seu baixo. Até hoje, ainda o acho o melhor músico da banda. Além de ter sido a inspiração da Gwen para praticamente todas as composições deste álbum. Não nesta, óbvio. Acho que, provavelmente, ela usou o poeta frustrado que a admirava para tentar causar ciúme em Tony: "You take advantage of what's mine, you're taking up my time; don't have the courage inside me to tell you please just let me be/Você tira vantagem do que é meu, você está tomando o meu tempo; não tenho a coragem dentro de mim para te pedir pra me deixar em paz". Ter um mala no teu pé, te ligando? Quem nunca?  E essa música é completamente empolgante, não dá pra não balançar alguma parte do corpo e sentir vontade de pular com o refrão.

Faixa 02 - Excuse Me Mr.: Neste disco a banda deixou sobressair mais a sua veia punk/hardcore do que a de ska. Em nenhuma outra música isso fica tão evidente quanto nesta que, por muito tempo, ficou sendo minha música preferida em épocas de rebeldia adolescente. Unicamente pela agressividade do som, porque a letra pra mim nunca disse nada com nada. Apesar da afeição pelo agressivo, eu gosto um bocado do clima western-fofinho-comumtrombonelindo que eles encaixam nessa música.

Faixa 03 - Just A Girl: Eu particularmente AMO essa introdução. Duvido que alguém não goste. E gosto ainda mais conforme ela vai se desenvolvendo, com peso e o vocal característico da Gwen. Eu não consigo imaginar outra pessoa cantando essa música, a maneira como ela usa sua voz é perfeita. Essa música é perfeita! E a letra tirando uma onda com a superproteção paterna em torno de uma garota me divertia um bocado.

Faixa 04 - Happy Now?: Eis aqui a primeira letra direcionada ao fim do namoro de Gwen e Tony. Ele terminou o namoro de sete anos alegando precisar de mais espaço e ela, aparentemente, não ficou muito satisfeita: "You had the best but you gave her up 'cause dependency might interrupt/Você teve o melhor mas você a deixou na mão porque a dependência poderia atrapalhar". Eu gosto dessa pegada mais rock, é uma música legal. E dor de cotovelo sempre cai bem.

Faixa 05 - Different People: A partir daqui Gwen Stefani me convenceu realmente de que é uma excelente cantora. Em técnica, estilo e consciência musical. Ela sabe exatamente onde e quando a voz dela se faz necessária e sabe como te fazer sentir o que ela canta. Uma letra simples sobre diversidade que me faz arrepiar e vibrar até o final: "So many different people, so many different kinds, for better or for worse, different people/Tantas pessoas diferentes, tantos tipos diferentes, pelo bem ou pelo mal, pessoas diferentes". E a linha de baixo é perfeita. E os metais também.

Faixa 06 - Hey You!:  Sempre me referi à essa como "a cover do Roberto Carlos". Uma das coisas que mais me impressionam é como Gwen e Tony trabalham bem nas composições conjuntas apesar de tanta tensão com o fim do relacionamento. Além de uma Gwen claramente decepcionada com a vida amorosa e que desaprova o comportamento sonhador da garotada: "You're just like my Ken and Barbie doll in a plastic world of make believe/Vocês são como meu Ken e minha Barbie num mundo plástico de fantasia". É uma boa canção, mas a mais fraca do álbum.

Faixa 07 - The Climb: Não sei se tenho palavras pra descrever a sensação que essa música me causa. É uma música intensa, com uma letra intensa: "Step by step I come closer to reaching the top, every step must be placed so that I don't fall off; looking down to see about how much higher I am, another cool wind comes through brushes my skin/Passo a passo eu vou me aproximando do topo todos os passos devem ser bem colocados para que eu não caia; olho para baixo para ver o quão alto eu estou, algum vento frio vem tocando levemente a minha pele". E como canta bem essa menina, puta merda. E que banda boa! Quase sete minutos de arrepios consecutivos.

Faixa 08 - Sixteen: O mesmo sarcasmo divertido de Just A Girl, agora sobre ser adolescente. E com uma música incrível, com um trompete que se destaca e se encaixa perfeitamente.

Faixa 09 - Sunday Morning: A levadinha mais ska do álbum. E mais tapa na cara do Tony: "I'd trade you places any day, I'd never thought you could be that way/Eu estava com você em qualquer lugar, eu nunca pensei que você pudesse ser assim". Música gostosíssima e, caso possa interessar, é o meu videoclipe preferido deles.

Faixa 10 - Don't Speak:  Essa todo mundo conhece. A nata do sofrimento de Gwen pelo fim do romance. Confesso que uma das coisas que mais me admira nessa história é que, apesar das palavras cantadas aqui: "I really feel that I'm losing my best friend, i can't believe this could be the end/Eu realmente sinto que estou perdendo o meu melhor amigo, eu não posso acreditar que esse possa ser o fim", os dois conseguiram encaram o fim desse relacionamento de um jeito maduro, transferindo as mágoas e frustrações para as letras e construindo uma nova relação de amizade e companheirismo na banda. Bom pra gente que, embaladas por esse hino de lamúria, pode se debulhar em amargura embaixo do edredon quando toma um pé na bunda. Como eu havia dito, dor de cotovelo sempre cai bem.

Faixa 11 - You Can Do It: Enérgica, swingada, dançante e animada e com aquela groovera do baixo que eu amo. Pra quem curte um Timba Funk, no estilo Earth, Wind & Fire ou Kool & The Gang, ou K.C. And The Sunshine, a pegada é certeira. Ótima música e com um ótimo solo de trompete.  Pra dançar e bater palminha.

Faixa 12 - World Go Round: Talvez seja a minha preferida hoje em dia. Eu amo como cada instrumento é tocado, amo como ela é cantada, amo a letra e amo a sensação que ela me causa. "Degradation, violation, inexcusable exploitation; it's the dawning of a new era, people consciously don't care, how unfair!/Degradação, violação, exploração indesculpável; é o começo de uma nova era, gente que conscientemente não se importa, que injusto!". Minha preferida, sem dúvida. Do começo ao fim.

Faixa 13 - End It On This: E lá está ela de novo, reclamando que foi largada, ignorada, pedindo um último beijo e pra ele acabar logo com isso. Mas é uma bela música, eu gosto bastante.

Faixa 14 - Tragic Kingdom: As letras do Eric Stefani sempre são as que botam nossa cuca pra trabalhar um pouco mais; mas essa não é como Different People ou The Climb, essa fala de um reino imaginário que eu nunca entendi muito bem se era metafórico ou não. É a maior piração. Mas é uma boa canção. Um tanto tensa, mas boa.


As minhas considerações finais são: Gwen Stefani é uma puta cantora, o Tony Kanal é um puta baixista, a banda toda é uma puta banda, como toda puta banda de ska deveria ser. E mesmo os próximos discos deles sendo bastante inferiores à este, eu continuo achando-os incríveis. 
















quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dead Kennedys - Give Me Convenience Or Give Me Death (1987)

Estava difícil escolher um critério de seleção para a sequência de postagem desse blog. Tentei considerar a minha primeira escolha, o meu álbum preferido da minha banda preferida, e relacioná-la a uma sequência. Não consegui alinhar o raciocínio de outra forma que não fosse shuffle. Depois de botar um pouco a massa cinzenta pra funcionar, eu cheguei à decisão de escrever sobre o primeiro CD que eu comprei pra mim.


Não me lembro bem da idade que eu tinha quando o comprei, mas devia ser por volta dos 14 anos. Eu já havia tido contato anterior com outros materiais da banda, mas foi a partir dessa compra que eu me dei oportunidade de melhor degustá-la.
Talvez a maior característica do Dead Kennedys não seja musical e sim o forte engajamento político de Jello Biafra! Desde a escolha de seu pseudônimo até os títulos e letras das músicas, sua preocupação, crítica e descontentamento com os sistema político mundial sempre foi bastante evidente. E eu, no auge da minha transição metal/punk, me deixei seduzir completamente pela atmosfera tragicômica das letras de Jello. E, obviamente, pela musicalidade singular da que, pra mim, sempre será a melhor banda de punk rock que já existiu. Acho interessante deixar claro que, não poderia ser de outra forma, a musicalidade é sempre o cartão de visita, principalmente em bandas estrangeiras. Se o cartão é atraente, sedutor, aí então eu me aprofundo na linguagem, na mensagem.

Provavelmente a escolha de uma coletânea deixará algumas mentes insatisfeitas mas, na minha, a escolha faz completo sentido. Uma compilação de versões incríveis de todas as melhores músicas da banda, o supra-sumo da carreira deles (ainda que símbolo de brigas judiciais e decadência socio-musical). Essa coletânea conta com 17 faixas; farei o possível para ser o menos prolixa possível, para não tornar a leitura desesperadora. Encham-se de paciência!


Dissecando o álbum: 


Faixa 01 - Police Truck: Uma das coisas que sempre me encantou nessa banda: a pegada surf music completamente convidativa ao pogo, especialmente evidenciada nessa faixa. É  uma das minhas músicas preferidas, com o adendo à letra que satiriza o trabalho dos "coxa" "Got a black uniform and a silver badge, playin' cops for real, playin' cops for pay/Tenho um uniforme preto e um distintivo prateado, brincando de policial de verdade, brincando de policial por dinheiro". E o Klaus Fluoride e seu baixo me fazem muito feliz.

Faixa 02 - Too Drunk To Fuck:  Toda banda de punk rock que se preza tem pelo menos uma letra idiota sobre bebedeira. Por mais politizada que a banda seja, não seria diferente com eles: "Went to a party, I danced all night, I drank 16 beers and I started up a fight/Fui à uma festa, dancei a noite toda, bebei 16 cervejas e comecei uma briga". Mas tudo bem pra mim já que a letra vem coroada pelo melhor riff de guitarra que o East Bay Ray já compôs na vida. 

Faixa 03 - California Ubber Alles:  Aqui a crítica tem nome e sobrenome: o governador da California, Jerry Brown, considerado fascista.  A banda sempre deixou clara sua postura sarcasticamente Antifa: "Zen fascists will control you, hundred percent natural, you will jog for the master race and always wear the happy face/Fascistas zen irão te controlar, 100% natural, você correrá pela raça superior e sempre fará cara de contente". E sempre vale ressaltar que apesar de ter sido composta originalmente pelo Slesinger, essa linha de bateria do Peligro me faz ter vontade de abraçá-lo com força (o que eu acabei fazendo quando tive a oportunidade de encontrá-lo, na primeira vez em que a banda esteve no Brasil).

Faixa 04 - The Man With The Dogs: Dane-se a letra, essa é a música mais legal do disco!

Faixa 05 - Insight: Eu sempre penso nessa música como uma versão rebelde de alguma música do The Cramps. Impossível não ficar animado.

Faixa 06 - Life Sentence: Mais punk rock impossível. Liricamente é um estilo de composição que me agrada e traz uma crítica social que faz a gente pensar em frases como "You don't do what you want to but you do the same thing everyday/Você não faz o que quer mas sim a mesma coisa todos os dias" e "Now you're an adult, you're boring/Agora você é um adulto, você está entendiante".

Faixa 07 - A Child And His Lawnmower: Aquela música com menos de um minuto. Toda banda de punk rock tem, né?

Faixa 08 - Holiday in Cambodia:  O genocídio cambodjano de Pol Pot virou hino. E traz um belo tapa na cara de pseudo ativistas: "Play ethnicky jazz to parade your snazz on you five grand stereo, braggin' that you know how the niggers feel the cold and the slum's got so much soul,it's time to taste what you most fear/Toca jazz pra se mostrar, seu otário, no seu estéreo cinco estrelas, dizendo que sabe como os negros sentem frio e que a favela tem tanta alma, é hora de provar o que você mais teme".

Faixa 09 - I Fought The Law: Aqui a música de Sonny Curtis ganha mais uma de suas milhares de versões espalhadas pelo mundo, com uma quirelinha do sarcasmo de Jello cutucando aqui e acolá: "I'm the new folk hero of the Ku-Klux-Klan/Eu sou o novo herói folk da KKK".

Faixa 10 - Saturday Night Holocaust: Poderia perfeitamente ter sido composta para a trilha sonora de um  filme B-Thrash. O começo é bem chatinho, mas depois fica ok. Talvez seja a música deles que eu menos goste.

Faixa 11 - Pull My Strings: Versões ao vivo que começam com baixo sempre me ganham. E quando vem coroadas com uma grande dose provocativa, eu fico ainda mais contente. A menção à música My Sharona, do The  Knack, trocando a frase título por My Payola (Meu jabá), me faz rir até os dias de hoje. Mas minha parte preferida sempre será: "But there's just one problem: is my cock big enough? Is my brain small enough for you to make me a star?/Mas há só um problema: o meu pau é grande o bastante? O meu cérebro é pequeno o bastante para você me tornar uma estrela?". Sempre bato palminha acompanhando o ritmo.

Faixa 12 - Short Songs: Mais punk rock gratuito. E ao vivo. Porque... né? Tem que ter...

Faixa 13 - Straight A's:  Aquela letra amiga dos adolescentes, sobre as frustrações da vida e a vontade de morrer. Aquele mais do mesmo, só que punk. E ao vivo.

Faixa 14 - Kinky Sex Makes the World Go Around: Nunca entendi muito bem pra quem o tal secretário estava ligando, mas é bem engraçado perceber que ele procura um aval pra começar uma guerra enquanto a outra pessoa está fazendo sexo do outro lado. Deve acontecer com frequência significativa.

Faixa 15 - The Prey: Eu a chamaria de George Romero. E não parece Dead Kennedys. Na verdade, acho que a que eu menos gosto é essa.

Faixa 16 - Night Of The Living Rednecks:  Mais música ao vivo. Música de fundo pra um stand-up comedy chatíssimo do Jello. Desnecessário.

Faixa 17 - Buzzbomb from Pasadena: Instrumental legal com vocal chato. Mais uma que não precisava estar aqui. 



Acho que se eu fosse escolher as faixas pra essa coletânea, teria parado na número 11. Mas talvez eu esteja um pouco mal humorada. 
Apesar de ter algumas músicas que eu não aprecio tanto, esse continua sendo meu disco preferido deles e que,  na minha opinião, traz as melhores músicas. Eu acrescentaria/trocaria uma ou outra, mas de um modo geral, é um disco ótimo.













terça-feira, 24 de julho de 2012

The Smiths - Meat Is Murder (1985)

Há algum tempo me vejo preocupada com minhas habilidades literárias. Ultimamente, quando eu sento pra compôr, pra escrever um monograma, uma sinopse, um release, uma carta ou até mesmo um email, eu me sinto bloqueada por alguma "força analfabetista". E essa preocupação me fez tomar a decisão de que eu deveria praticar.
Tomado o raciocínio de que a prática estimula o desempenho, escolhi como opção retomar minha condição de blogueira. Mas eu não queria continuar naquele esquema umbiguista de desabafo de amarguras e emoções anacrônicas, eu precisava de algo específico. Precisava de algo que fosse uma verdadeira paixão.
Nada fica tão claro em minha mente, quando se fala em paixão, quanto MÚSICA. E foi então que eu tive esse insight.
A partir de hoje [e espero realmente conseguir manter uma frequência], eu escreverei sobre discos que mudaram minhas perspectivas, ampliaram meus horizontes, me proporcionaram sabores e sensações que, de alguma forma, me transformaram no que eu sou até então. Se é pra contribuir com o jornalismo egocêntrico, que seja assim. Espero que absorvam o melhor de cada um deles.


Eu não poderia, de forma alguma, começar essa sequência de posts com outro disco senão este, que sem dúvida alguma, é o disco mais importante da minha vida:  



Quem me conhece sabe o quão fascinada eu sou por esta banda, que me influencia direta e indiretamente em quase tudo o que eu faço; como na escolha do nome deste blog, por exemplo: "but dont forget the songs that made you cry and the songs that saved your life/mas não se esqueça das canções que te fizeram chorar e das canções que salvaram sua vida..." - trecho da música Rubber Ring [que não está no disco deste post].  Quando eu ouvi uma música do The Smiths pela primeira vez, eu devia ter uns 7 ou 8 anos de idade, aquela sensação de que essa banda dizia coisas que eu PRECISAVA entender tomou conta de mim por um bom tempo. Eu não sabia do que se tratava, mas eu estava certa. A sensação ainda é a mesma até os dias de hoje. Quando eu comprei o Meat is Murder, eu devia ter uns 11 ou 12 anos de idade. Comprei a versão original [a da foto acima] e não conseguia me prender a mais nada. Eu carregava aquele encarte duplo pra cada canto da casa, como se  eu fosse o Linus, do Peanuts, e aquele fosse o meu cobertor. Cada palavra do Mozz tomava uma proporção exacerbada na minha pré-adolescência. Me tornei vegetariana, me tornei anti-autoritarista, anti-sistema e anti-social.




Dissecando o álbum:

Faixa 01 - The Headmaster Ritual : Um Morrissey que deixa claro sua repugnância pelo sistema educacional e militar britânico. Mas quando se é uma pré-adolescente, sua casa é a sua Inglaterra, a sua Europa, a sua Terra. Meu pai, provavelmente, não ficou muito satisfeito com a forma em que eu passei a encarar hierarquias e ditaduras. E muito do que eu penso a respeito de ensino massificado, hoje em dia, começou ali: "Give up education as a bad mistake/Desista da educação como um grave erro" . 

Faixa 02 - Rusholme Ruffians: Logo de cara, fica o registro de que a linha de baixo que o Andy Rourke criou pra essa música me hipnotizou. Uma levadinha country/rockabilly, eu me sentia num western protagonizado pelo Elvis Presley [de quem eles assumiram tirar inspiração].  E eu comprei um baixo logo depois, porque eu queria ser como o Andy. Obviamente, não fui. Nem nunca consegui tocar essa música. Ou qualquer outra deles. Enfim... quando se está na fase de transição criança/adulto, tudo é muito contraditório [não que na fase adulta não continue sendo, whatever]. Ainda que demonstre uma grande insatisfação com relacionamentos,  uma inocente esperança no amor e na vida fica evidente em frases como: "I might walk home alone but my faith in love is still devout/Eu posso voltar pra casa sozinho mas minha fé no amor ainda é fervorosa". 


Faixa 03 - I Want The One I Can't Have:  No auge do meu culto ao platonismo [porque eu sou dessas, desde sempre], essa trilha embalou muitos momentos de choro e amargura por não ser correspondida pelo ser amado. Nessa música, apesar do Johnny Marr prender a atenção com seus lindos acordes dedilhados, eu gosto de saborear a ginga do fofíssimo Mike Joyce que, cá entre nós, nunca foi lá um exímio baterista. Mas ele sempre deu conta do recado. E sempre me deixou animada.


Faixa 04 - What She Said: Eu costumo dizer que o Morrissey escreveu essa letra pra mim. A crescente depressão por não ser como a maioria das pessoas, a dificuldade de aceitação tanto social quanto pessoal, fazia com que o fascínio pela idéia da morte se intensificasse. E uma das minhas válvuas de escape nessa fase de transição acabou sendo o cigarro: "I smoke 'cause I'm hoping for an early death and I need to cling to something/Eu fumo porque estou esperando morrer logo e preciso me apegar a alguma coisa". E sempre me foi muito curioso o fato de letras e músicas tão depressivas despertarem em mim o entusiasmo pela vida. 


Faixa 05 - That Joke Isn't Funny Anymore: A balada. Eu diria que, hoje em dia, poderia ser considerada uma ODE AO BULLYING. A melodia melancólica e a letra grave se encaixam perfeitamente na insatisfação e na dor de quem se sente inferiorizado. E eu tive que tatuar o nome dessa música, para sempre me lembrar que "I just might die with a smile on my face after all/Eu poderia morrer com um sorriso no rosto apesar de tudo".


Faixa 06 - Nowhere Fast: A mesma atmosfera contraditória da minha vida: aquela vontade enorme que temos de fazer alguma coisa e, de alguma forma, acabamos por não fazer. Essa música sempre me fez pensar sobre o que eu queria/gostava na vida e o que e por quê as pessoas me impediam de torná-las reais. E o porquê de eu, de um jeito ou de outro, acabar aceitando isso. E eu perdia o interesse: "When I'm laying in my bad I think about life and I thing about death and neither one particularly appeals to me/Quando estou deitado na minha cama eu penso sobre a vida e sobre a morte e nenhuma delas particularmente me atrai". E devo ressaltar que, a cozinha Marr/Rourke/Joyce é especialmente incrível aqui.


Faixa 07 - Well I Wonder: O auge do desespero, da carência, da necessidade de se fazer notado. Eu já chorei muito embalada por essa trilha. Eu já quis muito morrer embalada por essa trilha. Mas quando o Mozz canta "Please keep me in mind" , o Andy Rourke e o Mike Joyce me fazem balançar os quadris e eu fico contente. E o barulhinho da chuva também. Eu amo barulho de chuva!


Faixa 08 - Barbarism Begins At Home: Eis mais uma das faixas que fizeram o descontentamento dos meus pais. Mas minha rebeldia foi bastante contida, apenas aprimorei a arte do "retrucamento". Andy Rourke e o solo de baixo no final da música, COMO FAZ? Até hoje eu ainda faço o mesmo passinho de dança 'dois pra lá, dois pra cá, bate palminha' ouvindo isso. É incrível e apaixonante. 


Faixa 09 - Meat is Murder: Se você não deixa escorrer uma lágrima que seja ao ouvir essa música, sua sensibilidade é questionável. Na primeira frase da música: "Heifer whines could be human cries/Gemido do bezerro podia ser choro humano" eu já tou com um nó na garganta. Sonoplastia desgraçada com mugidos e afins que me dão aperto no coração e fizeram dos meus quatro anos seguintes uma vegana bem chatinha. Depois que eu abandonei esse estilo de vida, eu não consegui mais ouvir essa música. E quando eu a ouvi no show do Morrissey, com um telão apelativo, eu não tive coragem de manter o contato visual. Eu me agarrei à perna do meu amigo e  chorei um bocado. "It's not "natural", "normal" or kind the flesh you so fancifully fry; the meat in your mouth as you savour the flavour of murder/Não é natural, normal ou coisa do tipo a carne que você frita magicamente; a carne na sua boca é você desgustando o sabor do assassinato". Pesado.


Esse álbum tem duas versões. Na versão posterior, com a capa abaixo, foi inclusa uma outra faixa, How Soon is Now?, que a maioria das pessoas deve conhecer e eu me abstenho de comentar.




Esse é um álbum politizado, crítico e que expõe nitidamente os pontos de vistas da banda, sem deixar a poética, a sensibilidade e o bom humor se perderem. Esse é o disco da minha vida, da banda da minha vida.